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09/08/2017 13:16

Entrevista com Dan May, presidente da Blackmagic Design

Panorama Audiovisual: Dan, parabéns, vocês conseguiram de novo, estão trazendo um produto extremamente útil e versátil a um preço extremamente baixo.

Dan May: Sim, nós temos tido muito sucesso com a linha Atem, provendo produtos que trazem ao usuário um poder tremendo. Porém, nós nunca havíamos feito um sistema tudo em um, pois sempre nos vimos como uma empresa com muitas opções. Se eu preciso converter HDMI para SDI, por exemplo, eu não preciso ter isto incluso no Switcher, gostamos de ter todas estas caixas diferentes que fazem coisas diferentes, mesmo quando fazemos um switcher, dávamos a opção de um controle em software ou um painel de controle. Esta é nossa primeira experiência em construir um Hardware que tem o switcher em si, mas também o painel para controle, tudo junto.

Neste produto vemos também como uma oportunidade educacional, já que vamos ter muitos clientes que estarão trabalhando pela primeira vez com produção ao vivo, e podem aprender na prática no nosso produto.

PAV: De fato este deve ser o "primeiro switcher" de muitos profissionais, o que pode ser uma desafio na parte educacional, porque, geralmente quando se lança um produto com esta faixa de preço, o treinamento não vem incluso gratuitamente.

May: temos investido muito nesta parte educacional. Acabamos de lançar nosso primeiro programa educacional completo para o Resolve que já está online, onde estamos certificando parceiros de treinamento para que eles tenham condições de replicar o conhecimento. Queremos seguir isso e afundo também em nossas outras linhas de produtos, falar sobre ATEM, sobre as câmeras, tem muito mais trabalho pela frente que queremos fazer.

Então nós confiamos bastante em nossos parceiros locais, como a Pinnacle Broadcast no Brasil, para serem capazes de trabalhar esta parte educacional também. A boa notícia é que nossos produtos são razoavelmente muito fáceis de usar, não posso dizer que é super fácil porque há sim uma curva de aprendizado, mas acredito que um time certificado de treinamento consegue preparar uma equipe para operar os equipamentos para um evento ao vivo em uma ou duas horas.

PAV: Dá pra dizer que o novo Atem Television Studio Pro tem praticamente o preço de um equipamento de consumo. Este é um novo alvo de vocês?

May: Nós vivemos em dois mundos. Queremos ser aquela empresa com soluções High-End para Broadcast e Pós-Produção, ter nossas câmeras em grandes filmes, mas sabemos que não é ai que está o dinheiro. Nosso trabalho é sobre esta nova geração de criadores de conteúdo que tem uma história para contar, uma mensagem, querem fazer seus filmes, suas produções ao vivo, colocar seu trabalho no Twitch ou no Youtube, estas são novas avenidas que não estavam disponíveis há 20 anos para quem queria contar sua história.

Este é um mercado bem maior e crescente, onde não importa se você está no Brasil ou se você está na Espanha, você pode adquirir ferramentas profissionais e ter uma audiência global. É bem mais interessante quando se tem esta noção do número de usuários que temos hoje. Temos que ter em conta a quantidade de pessoas que existe hoje e que está por ai tentando criar conteúdo profissional para estas novas plataformas.

PAV: Quando vocês anunciaram a compra da Fairlight, ficamos tentando adivinhar para qual direçnao seguiria a Blackmagic, e agora vimos ela como ferramenta de áudio integrado dentro do Resolve. Este é o foco para a marca ou haverá outras integrações de tecnologias?

May: Este é outro dos desafios que temos quando pensamos em situações de multi-usuário bem como situações de usuário único. Se um usuário compra uma câmera Blackmagic queremos que as filmagens que ele fizer funcionem com qualquer um de nossos parceiros como Avid, Adobe, Apple, queremos que os fluxos de trabalho lá sejam o mais tranquilos possíveis, mas também queremos ter certeza de que estamos entregando um ótimo fluxo de trabalho também, o que significa fazer do DaVinci Resolve o melhor aplicativo que nós podemos fazer.

Claro, ele sempre será o melhor software para gradação de cor, trabalhamos duro para ele ser incrível para edição de vídeo, o áudio, na maioria das produções, é a última coisa que se pensa, então ser capaz de colocar a Fairlight lá, dá mais ferramentas para uma pessoa que vai fazer todo este trabalho de pós sozinho.

Mas também há a questão de multi-usuário, em situações onde há um editor, um colorista e um engenheiro de som, ser possível haver um workflow em que eles podem, não só operar todos o mesmo software, como também o mesmo projeto ao mesmo tempo, é uma nova forma de pensar que nunca esteve disponível no mundo da pós-produção. Vemos a Fairlight como uma peça central em conseguir oferecer uma solução em que você pode começar e finalizar a pós-produção dentro do mesmo projeto usando o mesmo aplicativo.

PAV: Com todo este poder dentro do Resolve, vocês se vêm agora como concorrentes da Adobe e da Avid, por exemplo?

May: Essa é uma daquelas coisas que nós queríamos garantir que temos todo o fluxo de trabalho. Agora, se alguém quer comprar a câmera de outro fabricante e usar o Resolve para pós-produção, nós queremos ter o melhor workflow possível. Se alguém quer usar nossas câmeras, mas usar outras aplicações para finalizar, queremos ter certeza que também funciona perfeitamente.

Não queremos cair em uma situação onde de repente alguém muda algo e não somos mais compatíveis, então não podemos estar totalmente dependente de soluções de terceiros. Temos que ter certeza que o Resolve será o melhor que ele pode ser, mas claro que há muitos benefícios em dizer "Gravei em uma câmera BlackMagic, editei, colori e fiz o áudio em um projeto Blackmagic, e não precisei me preocupar com conformação e adaptação". Queremos ter certeza que todos estes fluxos de trabalho também existam, porque as pessoas são muito comprometidas com suas ferramentas de trabalho. Às vezes tenho a impressão que pessoas que vêem de fora querem que os fabricantes briguem uns contra os outros, quando o que os usuários realmente querem é ter opções que funcionem.

PAV: . Olha, tem gente que é quase religiosa à respeito de suas ferramentas de trabalho. Eu conheci pessoas que tinham literalmente tatuado 'Avid' no corpo..

May: Claro, e muitos deles foram vencidos antes, certo? Houve migrações de um aplicativo para outro, somente para terminar em frustração de ter de encontrar outro aplicativo. Nós queremos continuar comprometidos com isso e ter esta ferramenta completa funcional e é ótimo vir à um evento como a NAB, onde nós trabalhamos tanto para transformar o Resolve em uma ferramenta de edição e agora cerca de 60% a 70% das pessoas que estão vindo ao estande para ver o Resolve são editores que querem aprender mais sobre ele. Então é um longo processo. Sabemos que não basta fincar a bandeira e dizer que 'estamos aqui' e esperar que as pessoas venham. Temos que mostrar comprometimento, mostrar o desenvolvimento que estamos fazendo, então o próximo passo de adicionar o Fairlight é que as pessoas percebam que a Blackmagic está realmente engajada no mercado de pós-produção.

PAV: Hoje praticamente todos os seus concorrentes possuem escritórios próprios no Brasil. Caso de empresas como Canon, Panasonic, Sony entre outras. Quando veremos um escritório da Blackmagic Design no Brasil?

May: No momento temos um time de suporte excelente de distribuidores e revendedores na região que têm suprido os usuários de Blackmagic Design em todas as indústrias, e este permanece sendo a melhor forma para os clientes chegarem até nossos produtos.

PAV: Quais vocês acreditam que seja os maiores desafios para a região da América Latina no momento?

May: No começo, o desafio era educar os usuários sobre nossos produtos e como incorporá-los em seus fluxos de trabalhos. Enquanto que existam numerosos tutorais online de terceiros e recursos, bem como eventos locais e regionais, nós acabamos de anunciar o programa de treinamento que falei anteriormente. Temos uma rede com mais de 75 professores certificados e mais de 30 centros de treinamento ao redor do mundo, onde os clientes podem colocar as mãos na massa e se tornar usuários certificados de DaVinci Resolve.

PAV: Vemos muitos produtos da Blackmagic Design quando visitamos instalações de Live Streaming e produções de Music Videos, mas nem tanto na área de cinema ou broadcast. Esta é uma tendência global ou uma estratégia local?

May: Cada região é única conforme os mercados estão emergindo e quais têm mais destaque. Historicamente, produção ao vivo e broadcast sempre foram mercados fortes para a Blackmagic, incluindo nossa linha de switchers de produção Atem, roteadores Videohub e conversores de padrão Teranex. Um exemplo disso é a TV Promar da Venezuela que usa o Atem 2M/E Production Studio 4K, Universal Videohub e os processadores Teranex 2D como o coração de seus caminhões de produção. Eles usaram os caminhões para transmitir todos os jogos da Liga Venezuelana de Baseball, a maior liga de Baseball da América do Sul.

O que temos visto recentemente com o rápido avanço da tecnologia, é que o mercado de live streaming cresceu para além do mercado de produção ao vivo. Enquanto os dois mercados se sobrepõe e nossos produtos de produção ao vivo fazem uma transição perfeita para o mercado de streaming, nós temos mantido os olhos abertos para as tendências e como podemos desenvolver e adaptar nossa tecnologia para melhor servir estes consumidores. Vide a recente chegada de produtos como Blackmagic Web Presenter, Atem Television Studio HD e ATEM Television Studio Pro HD e o HyperDeck Mini. Estes produtos, em particular, funcionam tanto no mundo da produção ao vivo como do streaming e trazem pontos de entrada bastante acessíveis para clientes, com funcionalidades profissionais sem comprometer a qualidade.

No caso dos Music Videos, o DaVinci Resolve tem estado nas suítes de pós-produção da região. nos últimos anos, nos aprimoramos o produto e hoje ele é largamente usado na América Latina em instalações de pós-produção e broadcast. A O2 Filmes é uma das grandes produtoras do Brasil que, sozinha, possui mais de 80 licenças de DaVinci Resolve Studio, usando-o em cada comercial, filme e trabalho para televisão que fazem.

PAV: Muitos profissionais de produção no Brasil consideram a Blackmagic Design como uma excelente opção para produção, mas encaram alguns problemas de manutenção e acesso à peças sobressalentes. Existe algum plano para deixar este aspecto mais confiável no Brasil?

May: Nós nos esforçamos para ser o mais acessível possível na América Latina. Isto é onde nós dependemos da nossa rede de revendedores e distribuidores para dar acesso aos clientes à manutenção e peças para troca quando eles precisam. Para nós, no final das contas, tudo é sobre dar mais poder ao usuário final, então quanto mais crescermos na região, mais crescerão os recursos para os usuários.

Fonte:www.panoramaaudiovisual.com.br
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